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sábado, 29 de dezembro de 2018

O Bazar dos Sonhos Ruins: a lojinha de horrores do senhor King


Pode parecer estranho, mas até ano passado, eu nunca tinha lido nada, eu disse nada, de Stephen King. O mais perto que passei do escritor foram dois filmes adaptados de seus livros, mais precisamente “O Cemitério Maldito” e “O Nevoeiro”. Gosto muito dos dois. E foi exatamente por conta de uma adaptação cinematográfica, “It: A Coisa”, que resolvi ler o autor. Não que eu tenha visto o filme do palhaço, não foi isso. O barulho que causou na internet, isso sim, despertou minha curiosidade.  Aí fui ver o livro, e... um calhamaço de respeito. Pensei, puxa, mas se eu não gostar... então parti para uma de minhas estratégias mais antigas: conhecer o autor através de textos mais curtos, ou seja, através de contos. Mas será que havia alguma antologia de Stephen King? Afinal, eu sabia que o homem era um especialista em romances (muitos deles calhamaços). Para minha surpresa, não havia uma, mas três coletâneas de contos disponíveis! A mais antiga era “Sombras da Noite”, seguida por “Tripulação de Esqueletos” (O Nevoeiro está aqui!) e naquele ano, a Suma das Letras (atual detentora dos direitos de King no Brasil) lançara “O Bazar dos Sonhos Ruins”. Acabei comprando a partir daí, 4 livros de King: “Sobre A Escrita”, “Sombras da Noite”, “A Hora do Lobisomem” e por último, “O Bazar dos Sonhos Ruins”. E é acerca desse último que vou falar agora.
Em primeiro lugar, vale uma elogiada no trabalho gráfico feito pela Suma. Apesar de “O Bazar dos Sonhos Ruins” não possuir capa dura como os da coleção Biblioteca Stephen King, isso não atrapalha em nada a apresentação do livro (Sim, para mim, o livro começa pela capa). A capa é toda preta (bobagem...) e traz a ilustração de Obery Nicolas, designer gráfico francês. Uma cabeça humana que em lugar do rosto traz uma floresta enevoada com um lago, e lá no fundo a figura tradicional da morte empunhando sua foice. Cervos, um pássaro e diversas borboletas completam o onírico cenário. Nome do autor e do livro em vermelho e em alto-relevo, tudo lindo.
Passando adiante, temos a nota do autor e introdução, como tradicionalmente acontece, King saúda seus leitores (chamando-os de Fiéis) e expondo qual é o propósito do livro. Me chamou a atenção logo de cara este trecho: “Você ficaria surpreso (ao menos, acho que ficaria) com a quantidade de pessoas que me perguntam por que eu ainda escrevo contos. O motivo é bem simples: escrevê-los me deixa feliz, porque nasci para entreter.” Fico fascinado com a naturalidade como que King expõe suas ideias. Ele nos fala como se fosse um velho conhecido das coisas que lhe dão prazer na escrita. Seja em calhamaços, ou em pequenas narrativas, o mestre do terror descreve com alegria o ato de escrever. Outro ponto que se destaca no livro é o fato de que King introduz os contos falando de onde surgiu a ideia para escrever cada história.
Mas vamos aos contos:

Milha 81 – A história que abre o livro mistura elementos utilizados comumente por King: objetos inanimados (mas não tão inanimados assim...) e crianças. Conto bem escrito, mas que não chega a empolgar. E olha que eu ainda estou na fase de encantamento.

Premium Harmony – Parte de uma situação comum. Um casal aparentemente em crise, vai comprar um presente para uma sobrinha. Chegando na tal loja, a mulher sai e demora a voltar. Não bem é uma história de terror (ou quem sabe é...), mas a verdade é que mexe com a gente e nos mostra o quanto somos frágeis. Gostei.

Batman e Robin têm uma discussão – Pensei muitas coisas a respeito desse título. Não passei nem perto do que se tratava realmente. Dois senhores, um pai e um filho saem sempre para um passeio. O pai bem, bem idoso, sofre de Alzheimer. A história narra situações comuns à doença. Se você vive ou já viveu com um parente com esse problema, a identificação é imediata. Também não trabalha com o sobrenatural, mas... surpreende.

A duna – Um velho juiz (a terceira idade está em alta neste livro) prepara um testamento junto a um jovem advogado. Em certo momento, o juiz conta um hábito que tem desde a juventude: visitar uma duna que fica numa ilha. Nesse lugar, mais especificamente nessa duna, aparecem nomes de pessoas. Essas pessoas partem para a eternidade logo depois ( na contracapa, não é spoiler, certo?). Após dois contos, o sobrenatural volta em grande estilo. A história é envolvente e gostosa. O fim da viagem não é tão surpreendente, mas as paisagens valem a pena.

Garotinho malvado - Um homem conta a história do menino ruivo que aparecera em sua infância. O problema é que o tal garoto continua de tempos em tempos aparecendo, mesmo depois que o homem torna-se adulto. Um bom conto. Me lembrou "Às vezes Eles Voltam" presente em Sombras da Noite. Quando imagino o tal menino lembro do Ruivo Hering, personagem do desenho pequeno Scooby-Doo.

Uma morte - Esta história parece estar localizada no velho oeste. Existe um suspeito de ter praticado um crime hediondo. A trama gira em torno da dúvida já que o sujeito não tem perfil de assassino. King foge de suas características e nos entrega um conto de detetive, mas o faz com extrema competência.

Moralidade - Um Pastor doente faz uma proposta para lá de estranha a sua enfermeira. Uma história interessante que nos faz refletir até onde uma pessoa de bem pode ir por dinheiro. Mais um conto sem a presença do sobrenatural, mas que tem o seu encanto.

Vida após a morte - Um banqueiro morre e temos a oportunidade de acompanhar a sua jornada depois de bater as botas. Mas ele não encontra São Pedro e nem é recebido por anjos. Um conto com boas pitadas de humor (elemento presente em muitos dos contos desta antologia). No final, o morto tem que tomar uma decisão.

Ur - É na minha opinião um dos melhores contos do livro. Não quero falar nada que estrague sua experiência. Então imagine se você tivesse um Kindle cor-de-rosa e ainda por cima ele fosse... mágico!

Herman Wouk ainda está vivo - E por falar em melhores contos, esse para mim, é o melhor. Assim como Premium Harmony, a história parte de um fato cotidiano, trágico, mas cotidiano. Herman Wouk que aparece no título, é um escritor norte-americano, atualmente como 103 anos! Isso mesmo, 103! O conto trata dos contrastes misteriosos e ao mesmo tempo maravilhosos da vida. Sem contar mais uma vez com elementos sobrenaturais, o texto é praticamente uma crônica reflexiva! E reiterando, é meu conto favorito, pelas suas sutilezas.

Indisposta - É uma boa narrativa, mas não chega a empolgar. Coloco-a então no mesmo nível Milha 81. É bem escrita, porém em poucos parágrafos você consegue deduzir o que vai acontecer no final. Não há nenhum diferencial, nada que se destaque. Próxima, por favor!

Blockade Billy - E por falar em narrativas que não empolgam eis aí um grande exemplo. Não sei bem descrever o que senti. Na verdade, acho que nem terminei de ler esse conto. Não consegui. Achei chato, maçante. Talvez por falar de beisebol? Muito provável que sim, afinal esse é um esporte que não tenho nenhuma afinidade. Um dia posso até voltar e tentar reler, mas garanto, se essa tivesse sido minha primeira experiência com King, certamente eu não voltaria a ler nada do autor.

Mister Delícia - Outro conto que tem como protagonistas, idosos. Idosos de uma casa de repouso. Outra história fraca, mas que pelo menos é possível chegar até o final.

O pequeno deus verde da agonia - Mais um velhinho aparece. Esse passa por um problema de saúde grave. Sem esperanças, conta agora com um Pastor para curá-lo. A história gera curiosidade, você não sabe bem onde vai acabar aquilo. Depois de três histórias bem abaixo do nível, essa enfim sobe uns degraus, mas não se empolgue, não sobe muitos.

Aquele ônibus é outro mundo - Um homem precisa chegar depressa em um lugar importante para seu trabalho. De dentro do táxi em que ele está, presencia um fato estranho. Confesso que criei grande expectativa em relação a esse conto. Mas no fim, um título interessante, história regular.

Obituários - É sobre um jornalista que escreve obituários e acredito que quem tem alguma familiaridade com o terror já desconfie o vai acontecer. Apesar da premissa ser bem parecida com A Duna, gostei dessa história. Só que ao contrário do conto citado, o final é meio sem graça, mas o decorrer da narrativa é interessante.  Engraçado que no final, o próprio narrador justifica o fato da história ser sem graça.

Fogos de artifício e bebedeira - Se alguns dos contos citados são permeados pelo humor, este é um conto atípico. Sim, ele é uma comédia! Como o próprio King diz na introdução desse conto "O horror e o humor são gêmeos siameses". Você var dar boas risadas com uma mulher idosa e seu filho aprontando mil confusões numa disputa de tirar o fôlego! É bem assim mesmo, Sessão da Tarde. Engraçadinho até, mas prefiro o senhor King fazendo terror.

Trovão de verão - Dois homens e um cachorro chamado Gandalf vivem em um mundo pós-apocalíptico. Sem novidades em relação ao tema distópico, o conto é melancólico, triste, como esse tipo de história geralmente é.

Resumindo, acredito que esse deve ser o livro de contos mais fraco de Stephen King. Digo "deve" pois só conheço o "Sombras da Noite" que cá para nós, é bem superior a este. Mas... é só minha opinião. E como já falei, estou conhecendo os livros do autor agora.

Agradeço imensamente se você chegou até aqui. Um grande abraço e até a próxima!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O Doutrinador: quando a indignação vira arte


Quem nunca se revoltou com notícias relacionadas à nossa política? Todos os dias uma enxurrada de podridão vinda daqueles que deveriam nos representar nos atinge em cheio. E não falta ninguém. São deputados, senadores, prefeitos, governadores... Isso tudo nos enche de indignação e daquela sensação de impotência, não é verdade? Mas eis que o carioca Luciano Cunha transformou a sua decepção com esse meio em arte. Sim, Luciano criou um herói (ou anti-herói como queira) que executa políticos corruptos (sem dó, nem piedade). O Doutrinador não é lá uma ideia original (ele lembra Batman, Justiceiro...), como o próprio Luciano já apontou. Mas então o que faz dele diferente? A reposta é fácil: o Doutrinador tem um pouco de cada um de nós, afinal, ele é brasileiro e as suas aventuras acontecem aqui nas terras descobertas por Cabral (Ah! Não, Cabral, não!). O Doutrinador surgiu na web em 2010 e é claro ganhou muita força em 2013 na época das manifestações. Depois disso, as aventuras do nosso anti-herói foram impressas. Em 2018, outra boa notícia: o personagem chegou aos cinemas! É, o primeiro super-herói brasileiro a ganhar as telonas! E nós como bons nerds, acostumados com os filmes da Marvel e da DC, fomos ao delírio! Tipo aquele momento que o Galvão gritava É TETRA, É TETRA, pulando feito um maluco ao lado do Pelé. Pois é, e ainda dizem que acontecerá uma série pelo canal Space, vamos aguardar.
Para não perdermos o foco desta conversa, falaremos do último encadernado do Doutrinador, também lançado em 2018. Mesmo sem conhecer, comprei! E amigos, não me arrependi! A revista chegou muito bem embalada (caixa personalizada com logo e tudo!), bem protegida com papel e plástico bolha. E ainda vieram de brinde, uns adesivos super legais. Logo de cara vemos a arte utilizada na divulgação do filme. Mas para meu espanto, era só uma sobrecapa. Depois vem realmente a capa da revista, uma bela imagem do Doutrinador com o Congresso Nacional na palma de uma das mãos. Não é necessário dizer que graficamente, o projeto está perfeito: capa dura, papel couchê, nos moldes Salvat, Mythos, Panini Books... O conteúdo engloba as 3 histórias do Doutrinador já lançadas. Destaque para Dark Web, com co-autoria de Marcelo Yuka (ex-integrante do Rappa). Além disso, a revista traz ainda como o Doutrinador surgiu, curiosidades sobre o filme, e uma sessão com o nosso justiceiro desenhado por outros artistas (achei o máximo essa parte).
Enfim, acredito que algo diferente está acontecendo com os artistas nacionais: reconhecimento. O que se faz aqui também é bom. Fato. E o Doutrinador pode ser a porta de entrada para muita gente que produz entretenimento de qualidade. E o meu desejo é que todos esses artistas sejam valorizados tanto quanto os gringos que há décadas, reinam por aqui. Então, meus amigos, vida longa ao Doutrinador! Vida longa ao quadrinho nacional! Até a próxima!

quarta-feira, 18 de julho de 2018

“Cartas de um diabo a seu aprendiz” para cristãos e não cristãos


Conheci C.S. Lewis através do filme “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, adaptação de um de seus livros, que mais tarde eu descobriria fazer parte de um universo maior chamado as Crônicas de Nárnia. Pesquisando na internet descobri que o senhor Lewis foi um professor de Literatura Medieval e Renascentista em Cambridge no Reino Unido. Além disso, ele também foi amigo de J. R. R. Tolkien, o criador de O Senhor dos Anéis. Mergulhando mais fundo em sua biografia, soube que C.S. Lewis fora ateu por muito tempo, mas depois de um tempo converteu-se ao cristianismo e ingressou na Igreja Anglicana. A partir desse ponto notei que o criador de Nárnia tinha várias obras voltadas para a religião. Mesmo sendo católico, não hesitei em conhecer tais obras, visto que eram todas muito admiradas independente do credo de seus leitores. Li então “Cristianismo Puro e Simples”, um livro espetacular, que teve como base a participação do autor em programas da rádio BBC na época da II Guerra. Só depois comprei as “Crônicas de Nárnia” em volume único, do qual confesso só ter lido os três primeiros livros.
No final de 2017 adquiri “Cartas de um diabo a seu aprendiz”. Coloquei-o na fila de leitura e somente semana passada resolvi iniciar sua leitura. E foi para mim algo muito agradável, pois eu não sabia o que esperar. Posso dizer que é um livro com temática religiosa, mas ao mesmo tempo está ligado ao que Lewis sabia fazer tão bem, escrever fantasia. Para quem não sabe “Cartas de um diabo a seu aprendiz” narra os conselhos de um demônio experiente chamado Fitafuso, uma espécie de professor infernal, a seu sobrinho Vermebile. Ao contrário do que se possa pensar, o formato escolhido não deixa o livro chato ou monótono, pelo contrário, cada capítulo que corresponde a uma carta, vai instruindo o inexperiente diabinho em relação ao seu “paciente” (a pessoa que ele deveria tentar) de maneira bem sarcástica. Se no catolicismo aprendemos que dispomos de um anjo da guarda, aqui vemos que temos um oponente que serve para nos conduzir de maneira contrária. Impossível não lembrar dos desenhos animados, como o Pica Pau, por exemplo, em que em certas situações víamos um anjinho e um diabinho tentando convencer o sujeito do que fazer. No livro, Deus é chamado por Fitafuso de o Inimigo (assim mesmo com letra maiúscula), exatamente como os cristãos chamam o capiroto, o que torna cada menção a Deus (e são muitas) engraçada.
Um livro que serve tanto para instruir como para entreter. Se você é cristão, terá em mãos um texto muito rico que o levará a muitas reflexões (muitas vezes eu voltava uma frase, um parágrafo, tentando aproveitar cada gota do que era ensinado). Para os que não são cristãos a leitura também é válida, pois o livro é extremamente bem escrito e os fará dar boas risadas.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Um Lobisomem Americano em Londres

Ontem assisti com minha esposa a “Um lobisomem americano em Londres” no Telecine Cult. Dirigido e roteirizado por John Landis, também conhecido por filmes como “Clube dos Cafajestes” e “Os Irmãos Cara de Pau”. Considerado pela crítica um clássico do horror, o filme dispensa comentários. No entanto, seria injusto não lembrar a transformação do jovem David Kessler. Apesar de poucos recursos na época (1981), a cena ainda é uma das mais assustadoras do cinema. Tanto que rendeu ao filme, o Oscar de melhor maquiagem.
E tem refilmagem a caminho. O roteiro foi escrito pelo filho do diretor, Max Landis (Bright). Nomes de peso como David Alpert e Robert Kirkman (The Walking Dead) também estão envolvidos na produção. Não há previsão de lançamento. Os remakes não são bem vistos pelos amantes da sétima arte. Pelo menos, servem para trazer os filmes originais para o foco novamente.

sábado, 11 de novembro de 2017

A surpreendente Sala do Tempo de Renan Bernardo



Inicialmente achei que o livro era sobre viagem no tempo, com personagens correndo contra o relógio para desfazer alguma bobagem que alguém havia feito no passado, no melhor estilo “De volta para o Futuro”. Errei feio. A história é sobre uma sala, localizada numa biblioteca abandonada. Quem está no local percebe (ou não!), que o tempo do lado de fora não passa. E é claro, algumas pessoas vão querer se aproveitar da situação para alcançar seus próprios interesses. Além disso, temos a presença de uma figura que se esconde por trás do inocente ofício de vender sorvetes. Mas não se engane, o sorveteiro é a mais sádica das criaturas.
O livro de Renan Bernardo tem pitadas de mistério, histórias de detetive e é claro, do bom e velho terror. Gênero inclusive que, com exceção do André Vianco, temos poucos representantes reconhecidos em nosso país. Mas voltando ao livro, desde o início você encontra uma prosa viva, agradável. A trama contém todos os ingredientes para te conquistar logo de cara, conseguindo manter o ritmo até o final. A escrita do autor me lembrou muito a de Stephen King. Assim como o americano, Renan consegue pegar elementos do cotidiano e transformá-los em algo assustador. Encerro dizendo que não tenho nenhuma ressalva a fazer. É o tipo de leitura que você pode recomendar tranquilamente àquele sujeito que quer começar a ler ou ao leitor experiente. Todos irão gostar. A única coisa que lamento é não ter conhecido A Sala do Tempo antes.

Abaixo deixo a sinopse do livro e alguns links que encontrei acerca do autor na internet.

Sinopse: Jonas é apaixonado por Helena de forma obsessiva. Quando a garota dá um fim repentino ao relacionamento, o rapaz entra em pânico. Na antiga livraria da pequena cidade onde vive, Jonas descobre um lugar de paz para refletir enquanto observa o antigo papel de parede do lugar abandonado. Porém, aos fundos do velho lugar há uma sala. Enquanto alguém fica trancado nela, o tempo do lado de fora não passa. Quando Jonas descobre como ela funciona, ele pretende usá-la para reconquistar seu sonho.
As ações de Jonas desencadearão uma aterrorizante história de aflição e desespero que entrelaçará a vida de padres, jovens curiosos e dos simples cidadãos de uma cidade assombrada por uma singela sala vazia… e por um sorveteiro que sorri com dente de ouro e percorre as ruas da cidade com seu caminhão branco vendendo sorvetes.

Com mais de 200 mil leitores, a história ganhou o prêmio Wattys 2014 no Wattpad e foi convidada a figurar na seção de destaques do site. Foi lançada em 2016 em versão física e agora volta para a Amazon em uma nova versão digital.

A Sala do Tempo na Amazon

A Sala do Tempo no Wattpad

Biografia do autor

Entrevista com Renan Bernardo para o canal Trilha do Medo

Resenha do livro pelo canal Lobo Leitor

Participação de Renan Bernardo no podcast Universo 404

Página do livro no Facebook

Twitter do autor

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Rodoviária

Pessoas vão e vem
Num eterno caminhar apressado
Beijos e abraços
Gente subindo
Gente descendo
Rostos pensativos
Vendedores ambulantes
Mendigos com a mão estendida
A fumaça fedorenta
do cano de descarga
do cigarro do velho rabugento
O cobrador
O motorista
O passageiro
Seguem em frente
Até a última parada

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Tempo de criança



No meu tempo de criança era assim:
Papai, um homem severo,  acordava cedo. Mamãe, mulher corajosa e dedicada, acordava em seguida. Eu e meus irmãos só queríamos dormir mais um pouquinho, mas logo uma voz grave ressoava pela casa.

 — Acordem crianças, é hora da escola!
Olhando uns para os outros, levantávamos, vagarosamente. E mais um dia se arrastava.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Honesto e o caixa eletrônico

Honesto foi ao banco utilizar o caixa eletrônico. Chegando lá, notou a lotação da agência. Início de mês é sempre assim - pensou. Perguntou onde era o final da fila a um sujeito de camisa listrada. Ele respondeu prontamente: 
- É aqui mesmo camarada.  - Imediatamente, um outro manifestou-se:  
- A fila termina lá atrás!
Devido ao pouco espaço, as pessoas iam se aglomerando de maneira desorganizada e o fim da fila acabou encontrando o início. Foi então que o sujeito da camisa listrada armou o bote. Tirou uns papeis do bolso, resmungou algo, deu uns passos à frente, uma olhadinha para os lados e de fininho, aproximou-se de um caixa vazio. Honesto observava. As mulheres que estavam à frente, distraídas, conversavam sobre escovas de cabelo, esmaltes e sobrancelhas de henna. Alguns homens discutiam, já com os ânimos exaltados, a marcação de um pênalti que deixara o time local fora das finais do campeonato, aos quarenta e seis do segundo tempo. O homem sacou dinheiro, tirou extrato e ainda atendeu uma ligação, falando baixinho, é claro. Depois foi embora com naturalidade, cabeça erguida, aquele sorrisinho no rosto. Passou pelo Honesto, que não havia saído do lugar ainda e balançou a cabeça num cumprimento sarcástico. Honesto ficou admirado com a cara de pau do sujeito, mas não teve coragem de repreendê-lo.
Chegou a vez do Honesto, uma pane derrubou o sistema do banco.

terça-feira, 29 de março de 2016

Anjos (um poema para meus filhos)

Elas dormem
Respiram fundo
Eu as observo
A agitação do dia
E aquela vontade de viver
Cada segundo
Como se fosse o último
Dá lugar ao sono
Pesado, inocente, criança
Olho mais uma vez
Saio do quarto
Uma prece em meus lábios:
- Deus abençoe meus filhos.
Meus pequenos anjos.

quarta-feira, 9 de março de 2016

A despedida de Adão

Adão acordou durante a madrugada. Aproximou-se da janela. Do alto da mansão, avistou piscina, churrasqueira, cadeiras espalhadas. Lembrou da última aquisição: um Ford Fusion branco ainda com plásticos nos bancos. Foi ao quarto dos meninos. A TV de 55 polegadas ocupava boa parte da parede. Xbox, Playstation, Tablets e Smartphones amontoados num cantinho.  Mãe e filhos decidiram mudar a posição do móveis.  Voltou ao seu quarto. A mulher dormia entre lençóis de seda. Adão abriu a gaveta de seu criado mudo e com o objeto cromado que pertencera ao seu pai pôs fim a sua solidão.

Fábio Barreto e A Velha Casa na Colina

Conheci o trabalho de Fábio Barreto por acaso. Buscando por podcasts de literatura, encontrei o “Gente que escreve”, apresentado por ele e por Rob Gordon. Através do programa soube que Fábio era autor de Filhos do Fim do Mundo, livro  ganhador do Prêmio Argos de Literatura em 2014. Além dessa obra, o escritor publicou três contos na Amazon: A Velha Casa na Colina, O Céu de Lilly e A Invasora.
Adquiri essa semana A Velha Casa na Colina, que segundo o autor está mais para uma noveleta do que para um conto. A história de Fábio M. Barreto se passa numa pequena cidade de interior numa noite de Halloween. A casa que dá nome ao texto é cercada por lendas macabras.  Um jovem que tem sua vida marcada por acontecimentos envolvendo a antiga construção quer de uma vez por todas tirar a questão a limpo. E não medirá esforços para atingir seu objetivo.
A história é envolvente. Mesmo sendo um texto curto, o autor consegue desenvolver bem seus personagens. São perceptíveis as características marcantes de cada um. A narrativa é dinâmica. As descrições são objetivas com elementos suficientes para que o leitor possa construir cada cena em sua mente. Os diálogos são inseridos com muita naturalidade e precisão.
Outro ponto interessante são as referências. E são muitas. A começar pelo título. Além disso, inonimáveis escritores, clássicos da literatura, vivências em família e a própria cultura pop se misturam fazendo de A Velha Casa da Colina uma ótima experiência de leitura.

Site do autor:


Link do livro na Amazon: